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| Resistentes nas pistas do Todra |
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| Dunas itinerantes |
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| Souk de Ouarzazate |
APONTAMENTO DE VIAGEM
ACONTECEU EM OUARZAZATE
Um grupo de voluntários cumpre mais uma
missão humanitária nas areias cálidas do Sahara marroquino.
Um desafio não acessível a todos e cumprido
sempre com esforço, muita alegria e todo o amor do mundo. Tem contrariedades, às vezes frustrações mas
atingido o objectivo nada há de mais compensador e gratificante.
Só por si, a viagem de milhares de quilómetros em
viaturas 4x4, no asfalto, na água, em pistas de calhau ou de areia, já é uma
grande aventura cheia de acontecimentos e pontos altos de grande adrenalina.
Mas há também as surpresas, os imprevistos e a necessidade de ir sempre mais
além do que inicialmente se previu realizar.
Assim acontece em todas as missões; o olhar
atento dos voluntários capta facilmente todos os sinais de anomalias,
necessidades imediatas de alguém numa condição especial de sofrimento --- e
esse olhar é suficiente para que, de imediato, fiquem esquecidos compromissos,
horários, comodidades.
Um pequeno grupo progride no território
marroquino com destino ao grande Sahara. Foram estabelecidas etapas de forma a
conciliar «umas férias diferentes ajudando quem mais precisa».
Atinge-se as portas do deserto: a cidade de
OUARZAZATE, confluência das antigas rotas comerciais, amalgama de culturas e
credos e, talvez o maior centro de «trocas comerciais» da Africa do norte. Há
que ter sempre tempo para confraternizar com estas gentes hospitaleiras, trocar
bens para eles de primeira necessidade, por mais um cadeau, uma recordação… aquele
punhal berbere para um amigo querido, a lâmpada de Aladino que nos vai fazer
sonhar com génios e tesouros…
Todo o grupo se dirige para o grande «souk»
absorvendo odores e cores, excitado com o misticismo do local e a alegre
recepção dos vendilhões. Uma primeira aventura: atravessar a larga avenida
fervilhante de viaturas de todos os tipos a uma velocidade inacreditável.
Mas
Está a passar-se qualquer coisa de anormal; há
mais buzinas que as muitas já habituais, um desacelerar do trânsito e uma
confusão quase ordeira diferente da também habitual.
No meio do pavimento das duas faixas descendentes
algo se passa
Uma voluntária do grupo, alheada de toda a
confusão, presta assistência a uma jovem nativa deitada no asfalto. A sua presença cria como que uma muralha,
deixam de se ouvir buzinas, o trânsito rola lentamente como que em respeito.
A voluntária continua ajoelhada no chão junto à
jovem, com ela comunicando e, estranhamente, fazendo-se entender. Consegue
fazê-la soerguer-se, oferece-lhe um rebuçado, afaga-lhe o rosto inexpressivo.
Aos poucos a jovem vai saindo da apatia, sorri para a voluntária.
De mãos agarradas as duas levantam-se do chão ---
o trânsito, agora parado, deixa-as atingir em segurança os degraus da
berma. E aí se sentam as duas,
tranquilas, sorridentes, comunicando sem falarem uma mesma linguagem mas, de
olhos nos olhos, como irmãs estreitamente unidas por um sentimento de partilha
e de amor.
Largos minutos passaram, aproxima-se uma familiar
da jovem --- da jovem deficiente --- que tem ataques --- que por vezes não sabe
quem é --- que por vezes não sabe o que faz --------- como usa dizer-se nestas
paragens --- .
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| Kasbah Valée des Roses |
CYBERESPAÇO AS PORTAS DO DESERTO
AMI – ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL (NUCLEO DE TOMAR)
ASSOCIAÇÃO BEM-HAJA.NET
TURMA TODO TERRENO
com apoio dos seus voluntários
Agendam para 29 MARÇO
- 09 ABRIL 07
CYBERESPAÇO AS PORTAS DO DESERTO
iniciando também a população escolar de KSAR EL KHEMILIA no
mundo virtual da INTERNET»
Foi com este título que se iniciou a
divulgação de mais uma incursão no território africano.
Mais uma vez houve pessoas e entidades
que, preocupadas em ajudar povos carenciados, aderiram à iniciativa,
respondendo a um desafio novo juntando
equipamentos informáticos aos habituais medicamentos, suplementos alimentares,
brinquedos, roupas, bonés, rebuçados que, há já uma década fazemos regularmente
chegar à aldeia de Ksar el Khemilia
Há exactamente um ano, lembramos, foi
realizada a 14ª Expedição – 5ª Rapidinha e, desde logo, ficou prometida nova
visita, porque durante todos estes anos acompanhamos o nascer e crescer de
muitos meninos e meninas; é para eles que dirigimos esta acção – vamos
ajudá-los a conhecer um mundo novo, levar-lhes novas tecnologias, mostrar-lhes
que nos importamos com um futuro melhor apostando na aproximação dos povos e
das culturas.
Pela primeira vez a Turma Todo o Terreno
contou com a colaboração da Associação bem-haja.net, uma instituição sem fins
lucrativos que apoia outras instituições de solidariedade, voluntariado e apoio
social na área das Novas Tecnologias, nomeadamente, oferecendo equipamentos
informáticos e desenvolvendo websites de forma gratuita.
Já na véspera da partida registou-se a
desistência do engenheiro informático, por motivos profissionais agendados à
última hora. Não esmoreceu o entusiasmo e determinação dos participantes
registando-se tão-somente a vontade de levar avante tudo o que havia sido
programado. Descansou-nos a certeza de que os computadores que tinham sido
disponibilizados pela Bem-Haja se encontravam prontos a ser ligados e que a
linguagem árabe neles introduzida iria facilitar localmente a sua utilização.
Depositando as melhores expectativas no
grupo de 4 viaturas e 9 participantes – não vamos contar como cooperantes 4
jovens que integraram a expedição – chegou o momento 0.
Acertos de datas, locais de partida,
logo aqui se começaram a notar discrepâncias, que não tendo sido graves já não
foram de todo favoráveis. Depois de contestada a saída a 29 e acertada para a
madrugada de 30, exactamente quem se mostrava indisponível acabou por partir em
antecipação.
Lá foi combinado o encontro dos 2 jipes
de Tomar com os 2 de Mafra na auto-estrada de Sevilha. Diferença de distâncias, dificuldades de
percurso, imponderáveis, mas o encontro deu-se no meio de grande euforia
provocada pela diferença de 3 horas na chegada dos dois grupos.
DIARIO DE BORDO
AINDA O PRIMEIRO DIA
Comunicações acertadas no canal rádio
amador e, todos juntos fomos progredindo o mais rapidamente possível para se
cumprir o primeiro dia.
Foi altamente desgastante viajar com equipas que não se
conheciam, não havia a mínima coordenação entre
as viaturas e respectivas velocidades – seguiu-se pelo trajecto mais
penalizante usando estradas nacionais que embora boas nada têm a ver com a rede
de auto-pistas que assegura a ligação directa de Sevilha a Algeciras.
E logo aqui houve a primeira
manifestação negativa; com a desculpa que alguém de Mafra teria lido algures Tarifa – houve que esperar
no cais de embarque de Algeciras a chegada dos veículos que erradamente haviam
empreendido aquele rumo.
As razões que orientaram a organização
para a exclusão do embarque em Tarifa foram colhidas e www.frs.es, tendo a ver especialmente com o custo
da passagem.
Embarque em Algeciras, registo dos
passaportes a bordo e uma passagem do estreito sem incidentes, levaram-nos
para Tanger e finalizar do primeiro dia no Hotel Le Lagon em Moullay Bousselham.
Desembarque, formalidades aduaneiras,
tudo foi concluído em cerca de 45 minutos com a habitual normalidade e sem
revista às viaturas. Alguns sorrisos e
agradecimentos e ESTAMOS EM MARROCOS
Hotel Le Lagon a Moulay Bousselham
O SEGUNDO DIA
Manhã cedo, como combinado, o professor
AZIZ e a nossa amiga SAMIRA vieram juntar-se-nos no Hotel.
Primeira desilusão – as crianças estavam
de férias. As nossas férias da Páscoa. Pelo calendário islâmico o dia 3 de
Abril celebra o nascimento do profeta Mahomé (equivalente ao nascimento de
Cristo para os católicos) e, por tal, feriado e férias escolares.
Segunda desilusão – o computador já não
era uma novidade – a rústica biblioteca da escola já lá tem um – ficou outro,
sem ligação à Internet porque a escola não tem linha telefónica.
Ultrapassámos esta situação – a Samira
tem linha telefónica e amizades na Maroc Telecom – um ficou ligado e um
cyberespaço a funcionar sob a posse e gestão da Samira.
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| Dispensário de Moulay Bousselham com Samira |
Rapidamente se concluiu esta acção – o
almoço previsto foi anulado – os participantes de Mafra queriam seguir viagem –
destino Marrakech para chegar de dia,
visitar e jantar na lendária Place Jemal Al Fna.
Até parecia certo e correcto, só que, em
plena auto-estrada, Mafra decide sair junto a Mohamedia para «um almoço
pique-nique com os restos da véspera e as crianças molharem os pés no mar»
(fora do contexto, com resistência mas acabando por ser feito).
Chegamos ao Hotel Kenza em Marrakech
e cumpriu-se o resto do segundo dia dentro
do previsto, com uma visita pouco entusiasta – sem interesse sequer pelas
habituais compras neste grande centro turístico que é Marrakech e a lendária
Place Gemal Al Fna
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| As bancas da Grand Place Jmal Al F'naa |
O TERCEIRO DIA
Não vou dizer que começou mal – começou
e acabou no loundge do Hotel Kenza.
OS PARTICIPANTES
Os participantes nas anteriores
expedições sempre tiveram consciência que para se cumprir uma missão há
necessidade de rigor e disciplina. Não se pode, de ânimo leve, considerar que
uma viagem de mais de 4.000 kms a realizar em nove dias pode ser deixada ao
sabor da fantasia e do acaso.
A organização tem que estar atenta à
época em que realiza a expedição, ao fluxo turístico que se pode registar e a
todas as condicionantes meteorológicas. A experiência mostrou que nada deve ser
deixado ao acaso e que cedências acabam por penalizar todos os
participantes. Aqui residiu a
divergência e a cisão do grupo.
Pela Internet dois militares de Mafra
conheceram o projecto. Diversos contactos, muito entusiasmo, pouca cooperação e
desde logo alguns reparos inconsistentes e desagradáveis. No último dia foram
comunicados os dados das viaturas e participantes mas não foram formalizadas as
inscrições, sempre com desculpas adiadas.
A organização tem que assumir que
transigiu demais e que nunca deveria ter autorizado a participação destas equipas
depois de ultrapassado o prazo limite para a formalização das inscrições mas
fê-lo pela impossibilidade de participação de outros elementos e pela
quantidade de bens a transportar.
Estranhou-se entretanto a
indisponibilidade demonstrada de juntar todos os participantes para um
conhecimento prévio (como está estabelecido nas normas da Turma Todo Terreno) e
para se proceder à distribuição da carga pelas quatro viaturas; acabou por resultar na impossibilidade de se
levar todos os bens que se tinha conseguido reunir pois os dois jipes de Mafra
simplesmente levaram as cinco CPUs alegando falta de espaço.
Em contraste: a opinião do participante de Tomar - o seu
Discovery levaria tudo – e levou – levou mais do alguma vez seria suposto. Ficaram de parabéns o Discovery e o Terrano,
tanto pela sua prestação durante a viagem como pela carga que conseguiram
transportar – tudo o que era essencial.
Afinal foram estas duas viaturas e
respectivas equipas que realizaram a missão – tardiamente se concluiu que as
outras duas não teriam nunca feito falta, como não vieram a fazer.
As «Viagens com História», relatos das
expedições anteriores, têm denunciado pessoas que aproveitando o prestígio e
credibilidade das instituições envolvidas daí tentam tirar proveito próprio,
material e de outras regalias. É revoltante que para algumas pessoas
«voluntariado» sugira uma forma de viajar de graça e tirar benefícios próprios.
E assim aconteceu mais uma vez
Os senhores de Mafra simplesmente
aproveitaram a expedição TTT/AMI para obterem dispensa das suas ocupações
profissionais.
A pedido, a TTT emitiu cartas ao Comandante da Escola
Prática de Infantaria de Mafra e à Administração Regional de Saúde, solicitando
a dispensa respectivamente dos dois militares e da senhora enfermeira, a exemplo
do que já anteriormente havia sido feito para participantes noutras expedições.
Não foi difícil perceber a forma como
fomos usados ao sabermos que este grupo somente acompanhou a expedição até
estar em Marrocos onde se iria juntar (em Marrakech) com um grupo de amigos (ouviu-se
falar de um amigo Manuel). Percebeu-se também porquê o Toyota carregava
na grade do tejadilho uns sacos que pareciam tendas militares (ocupando o
espaço que deveria ser destinado à missão) – a expedição estava programada com
alojamento em hotéis e auberge e nunca em camping.
A descortesia, indisciplina e
contestação tinha como objectivo desestabilizar o grupo e provocar a cisão.
Objectivo conseguido porque se há forma de caracterizar a organização é pela
não partilha de responsabilidades ou desvio dos planos traçados. Uma vez mais
não há que reprovar o bom senso da actuação da qual saímos vencedores mesmo que
com consciência de que aqui « o derrotado foi parte do problema».
Como alguém do próprio grupo
argumentou: ser militar não faz o
carácter de uma pessoa – e tantas esperanças que tínhamos posto no desempenho e
disciplina deste grupo! Pena termo-nos enganado.
AINDA
O TERCEIRO DIA
Um almoço no Kenza, à pressa, já
tarde e sem as iguarias a que nos tinham habituado.
Uma espinha traiçoeira e a nossa
companheira do Terrano em
dificuldades. A enfermeira e o nosso doutor dispondo da mala
médica bem apetrechada socorreram na medida do possível, tentando a todo o
custo remover a espinha que acabou por ser eliminada sozinha e quando teve que
ser.
Depois de muitas voltas provocada
por cortes de trânsito nas ruas de Marrakech devido ao feriado (nascimento do
profeta Mahomé ), já debaixo de uma chuva meio grossa e persistente, fizemo-nos
à estrada, agora já só as equipas de
Tomar, destino Ouarzazate
uma jornada tranquila, sem sobressaltos sem atrasos
e sem esperas. Mas
UMA TEMPESTADE DE NEVE
Uma acentuada descida de temperatura
não obstou à paragem em Taddert para comprinhas de pedras e adagas, umas trocas
e uns souvenirs.
De novo na estrada uma descida
acentuada mas um pavimento melhor e mais largo com guardas metálicas de
protecção, fazia-nos seguir cautelosamente.
À nossa frente um táxi, saindo da sua mão para melhor curvar, acabou por
colidir com outro ligeiro que subia em sentido contrário, dentro de uma curva a
90 º. O Terrano deu espaço, o Discovery
encaixou-se bem e depois de reclamarmos para desimpedirem a estrada, lá
seguimos rumo a uma nova tempestade de neve.
A paisagem agreste das montanhas
escarpadas começou a vestir-se de branco dando lugar a um quadro magnifico e
deslumbrante de beleza, devidamente registado
pela digital do nosso companheiro.
Hotel Oscar na «Meca do Cinema Marroquino»
Cautelosamente mas com ritmo alcançamos o objectivo dentro da hora prevista e depois de um belo jantar com a melhor «Harira» que se comeu em todo a viagem, cansados, dormimos cedo.
O
QUARTO DIA
Uma manhã diferente, percorrendo os
cenários épicos,
muitas fotografias, um sol ameno e mais um dia de jornada até
Zagora no Vale do Draa , mas
não sem antes termos parado na
cidade para um almoço na esplanada, visita ao souk para muitas compras e trocas ao bom gosto das
terras da moirama.
Ouarzazate é uma cidade onde afluem
todas as rotas, por isso, um dos maiores centros de negócios do país. Os
companheiros que visitam Marrocos pela primeira vez têm o direito de mergulhar
nesta forma de cultura e apreciar todos os tesouros de Ali-Bábá.
Rolámos com cadência parando para
fotografar os diversos oásis do Vale do Draa, chegámos a meio da tarde a
Zagora.
Aproveitámos ser cedo para tomar uma
cerveja nos jardins de La
Fibule do Draa, o hotel que não tínhamos conseguido reservar
por estar completo mas que faz parte do imaginário das histórias de princesas e califas das
Arábias. Ficou a promessa de que, na próxima vez, deveria identificar-me correctamente porque haveria 'sempre' lugar.
E só não ficamos porque o Hotel Tinsoulin esperava-nos; os
nossos companheiros preferiram ir jantar à vila – um jantarinho de namorados –
num dos restaurantes simples das gentes hospitaleiras das portas do deserto.
Também aqui foi decidido dormir cedo
porque amanhã vamos ter um percurso mais exigente de nós e das máquinas.
O
QUINTO DIA
Saímos cedo destino Gorges do Todga
por pista.
Um desafio --- um grande desafio
porque se desconhece o estado das pistas de calhau.
Fomos temerários. Tendo em conta
sermos dois jipes o risco tornava-se muito maior. No passado houve situações em
que foram precisos dois para tirar um, mesmo com gente experiente nestas
andanças. Mas dos fracos não reza a história…
Uma paragem para a fotografia, um
encontro com um Defender e com o guia de um passeio de espanhóis. Aziz-Donia
era uma simpatia!! conselhos, troca de prendas, de e-mails e de telefones e
seguirmos juntos até ao cruzamento onde nos sinalizaria a saída para as pistas
de Boumalne por Tazzarine.
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| Os nossos amigos - os guias Marroquinos |
E aí estão «as benditas» pistas –
uma estreia para o Discovery, um recordar para o Terrano. Subimos, rolámos pedra, comemos pó.
Encontrámos gente hospitaleira sempre pronta a confirmar-nos a rota. Um
restaurante!!! Vamos almoçar aqui!!! No meio das fragas, no fim do nada… uma
omoleta berbere (cebola e tomate fritos, depois envolvidos com ovos e pão
marroquino mais um tintinho Capítulo ). Umas ofertas, um cerimonial de tatuarem
as testas das «gazelle» e um adeus.
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| Reg |
Não tive possibilidade de fotografar
mas vou guardar para sempre o privilégio
que tive de ver a ternura dos belos
olhos da Benedita e as expressões de espanto e irrealidade das crianças a quem
foi entregando brinquedos ao longo do percurso, uma muito em especial, a quem
deu um brinquedo grande, um tesouro para quem o recebeu.
Mais pista mais calhau e um outro
jipe seguindo o mesmo trajecto. Como manda a Lei do deserto «fizemos aguada» e
seguimos juntos até ao goudron.
Chegámos ao Todga, uma multidão, um
engarrafamento e a descoberta da paragem – pagamento de portagem para passar
para as gorges (estes mouros aprendem depressa!!)
Mais fotografias, uma bebida, e
voltamos à estrada porque ainda temos mais cerca de 200 kms para chegar a
Erfoud.
O
SEXTO DIA
Acordámos no Tafilalet depois de um
jantar agradável, uma noite bem dormida e um pequeno-almoço bouffet.
Seguimos para visita às fábricas de
polimento de fósseis,
e umas pequenas compras.
O Hassan
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| Hassan le dernier célibataire |
tinha ficado de nos encontrar aqui
mas como era cedo e não era essencial o encontro partimos rumo a Rissani uma pequena localidade sede de distrito e
ponto de partida da nova estrada que conduz a Merzouga sem ser pelas pistas.
Fotografias; o magnífico pórtico da
cidade,
um passeio pelo souk, mais umas comprinhas e seguimos para Merzouga e
daí para o Palace Nomade (também já com estrada de alcatrão a 1 km .)
Palace Nomade Hotel (estrada Taous)
|
mesmo a horas para uma
«salade marrocaine» com atum português e outro Capitulozinho.
Logo a seguir partimos para Ksar El
Khemilia para completarmos a nossa missão.
APOTEOSE
Bem perto a «grand dune de sable
rose» e a aldeia do povo Gnaua;
a nossa querida Fátima já com a sua
recém-nascida filha Ashna. Hamed e Hadija felizes e deslumbrados com o reencontro
Foi tempo de descarregar os jipes,
de tudo o que era destinado a esta aldeia, em casa da Fátima que, como
habitualmente procederá posteriormente à respectiva distribuição.
A estrada partiu a aldeia, ao longe
ouvíamos os tan-tans,
foi tempo de irmos até à «festa». Mas este ano a festa não era nossa – uma
«inundação» de turistas espanhóis estava açambarcando as atenções da população. Mas surpresa… a nossa presença de imediato
foi notada e vimo-nos, como sempre, rodeados, abraçados, acarinhados por todas
aquelas negrinhas e negrinhos que tão bem conhecemos.
Deixámos para o dia seguinte, mais
calmo, um almoço de cous-cous «chez Fátima» e a orientação do local e forma de
criar o cyberespaço.
Mais uma vez jogou contra nós o período de
férias; por isso, foi decidido que Fátima e seu marido ficariam encarregues de,
com o director da
programarem a utilização de 2 computadores para aprendizagem das
mulheres da aldeia. Um terceiro computador ficaria entregue a Hassan Lassen e
ligado à Internet.
O
PONTO NEGRO
O nosso Dr. Tamagnini apoiado pela esposa Benedita Prestou-se assistência a duas crianças doentes, dando a medicação que se mostrou adequada a cada caso.
Com os jipes de Mafra ficou a
enfermeira que deveria acompanhar a Missão.
Sem a sua presença ficou inviabilizada a prestação de formação
materno-infantil às mães Gnauas e assistência às crianças. Procedemos à entrega
dos medicamentos e material de penso no dispensário de Merzouga.
E até aqui no dispensário se sentiu
a época de férias. A bela enfermeira que nos recebeu calorosamente no ano
passado estava ausente, a senhora doutora que se encontrava ao serviço,
atirou-nos um simples 'salam aleikum' lá no fundo e do assento de onde não se
dignou levantar.
A
EXPLICAÇÃO
E o Hassan explicou:
O sul de Marrocos esta Páscoa
tinha-se tornado destino turístico para espanhóis que consigo tinham levado
alguns bens para deixar às populações.
E avançou uma sugestão: - carentes
estão as famílias nómadas isoladas nas areias para além do Erg Chebi – porque não
irmos ao seu encontro?
O
SETIMO DIA
Um
desafio nunca antes tentado
Conhecemos bem o Erg Chebi, foi lá que
aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das nossas
incursões em Africa. Foi
lá que apanhámos sustos, avariámos e rebocámos
jipes. Foi lá que passámos uma noite
esperando o amanhecer, um jantar e uma festa adiados num oásis.
Eram
só duas viaturas
… e o Hassan disse:
Lima, não podes ter medo… Allah olha
por ti porque tu vais ajudar o povo de Allah ----------- e eu vou contigo.
Youppy!!! Doutor – vamos nessa? Claro que vamos !!!
O Discovery não parecia em perfeitas
condições mecânicas mas a experiência e conhecimentos do Hassan fizeram-no comportar-se
como um verdadeiro catre-catre.
ADRENALINA
AO MAXIMO
Sem medo, só duas rodas motrizes,
engrenada a quarta aí vamos a 80 km/hora, não rolando mas planando baixo nas
areias do Erg Chebi.
Uma a uma foram visitadas todas as
famílias nómadas que o Hassan conseguiu encontrar e entregues os sacos com
rebuçados, açúcar, chocolate e leite em
pó, brinquedos e roupas. O sol do deserto ou o sorriso daquelas pessoas
aqueceram-nos interior e exteriormente.
Rumámos depois ao lago formado pelas
grandes chuvas e vimos o contraste deste deserto com o que nos acolheu em
tempos quando levámos grossas gotas de chuva depois de sete anos de seca.
O grande e inolvidável deserto,
sempre igual e sempre diferente.
Ficámos mais uma noite no Palace
Nomade – sem falarmos nisso entre nós – mas na expectativa de que os
dissidentes, em consciência se nos quisessem juntar e realizar a missão – eles
estavam de posse do plano de viagem, só não vieram porque, temos que assumir,
não tinham carácter.
O
OITAVO DIA
Saímos cedo rumo a Meknès para
recuperar o dia que tínhamos ficado no deserto.
Paragem obrigatória em Midelt para
as últimas comprinhas e trocas. Sempre os fósseis, todos iguais e todos
diferentes. Um almoço no Le Pin e o
reencontro com Mme Sophia que conhecemos há 14 anos e que há muitos tínhamos
perdido o contacto.
Agruras da vida devolveram-na de
Kasbah Bassou ao Le Pin, já sem o seu companheiro e em dificuldades. Ternurinhas , uma pequena
ajuda monetária, uma tagineira de «souvenir»
e
MEKNES, o trânsito, a confusão, as
ruas de sentido único mas finalmente o nosso hotel e a bela Souhad nossa
conhecida de Erfoud com o seu enorme sorriso, um belo jantar e quartos
magníficos.
Os nossos companheiros teriam
preferido seguir para FES mas a impossibilidade de anular a reserva do hotel
fizeram-nos ficar e seguir só de manhã.
Aproveitámos o tempo livre até ao
jantar para numa agência de viagens comprar os bilhetes para o ferry de
regresso, procurando as melhores condições de preço e evitando as confusões
fronteiriças.
Uma despedida rápida, troca de todos
os votos de boa viagem. Os nossos companheiros seguiram via Fès- Chefchaouen
prolongando as suas férias por mais um dia; nós rumámos directamente a Tanger.
REGRESSO
A CASA
Um almoço a bordo de um grande ferry,
uma travessia tranquila do estreito de Gibraltar e o reentrar na Europa para
uma viagem tranquila até nossas casas , famílias e amigos que nos aguardavam
com o entusiasmo como se regressássemos de uma viagem de volta ao mundo.
Não foi mesmo a volta ao mundo mas
teve de tudo, suspense, arrelias, alegrias, surpresas mas especialmente calor
humano, dever cumprido, ajudar quem precisa e muito, especialmente rever aqueles AMIGOS, aquela
gente simples e hospitaleira, receber
abraços sinceros e a partilha de muito AMOR que não conhece fronteiras
ou cor de pele.
Cansados e felizes terminamos a
nossa odisseia. Será que ainda voltamos uma vez mais ao continente de todas as
emoções ? INCH’ALLAH



















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