terça-feira, 6 de outubro de 2009

SAHARA

Resistentes nas pistas do Todra
Dunas itinerantes
Souk de Ouarzazate
APONTAMENTO DE VIAGEM 

ACONTECEU EM OUARZAZATE


Um grupo de voluntários cumpre mais uma missão humanitária nas areias cálidas do Sahara marroquino.

Um desafio não acessível a todos e cumprido sempre com esforço, muita alegria e todo o amor do mundo.  Tem contrariedades, às vezes frustrações mas atingido o objectivo nada há de mais compensador e gratificante.

Só por si, a viagem de milhares de quilómetros em viaturas 4x4, no asfalto, na água, em pistas de calhau ou de areia, já é uma grande aventura cheia de acontecimentos e pontos altos de grande adrenalina. Mas há também as surpresas, os imprevistos e a necessidade de ir sempre mais além do que inicialmente se previu realizar.

Assim acontece em todas as missões; o olhar atento dos voluntários capta facilmente todos os sinais de anomalias, necessidades imediatas de alguém numa condição especial de sofrimento --- e esse olhar é suficiente para que, de imediato, fiquem esquecidos compromissos, horários, comodidades.

Um pequeno grupo progride no território marroquino com destino ao grande Sahara. Foram estabelecidas etapas de forma a conciliar «umas férias diferentes ajudando quem mais precisa».

Atinge-se as portas do deserto: a cidade de OUARZAZATE, confluência das antigas rotas comerciais, amalgama de culturas e credos e, talvez o maior centro de «trocas comerciais» da Africa do norte. Há que ter sempre tempo para confraternizar com estas gentes hospitaleiras, trocar bens para eles de primeira necessidade, por mais um cadeau, uma recordação… aquele punhal berbere para um amigo querido, a lâmpada de Aladino que nos vai fazer sonhar com génios e tesouros…

Todo o grupo se dirige para o grande «souk» absorvendo odores e cores, excitado com o misticismo do local e a alegre recepção dos vendilhões. Uma primeira aventura: atravessar a larga avenida fervilhante de viaturas de todos os tipos a uma velocidade inacreditável.

Mas

Está a passar-se qualquer coisa de anormal; há mais buzinas que as muitas já habituais, um desacelerar do trânsito e uma confusão quase ordeira diferente da também habitual.

No meio do pavimento das duas faixas descendentes algo se passa

Uma voluntária do grupo, alheada de toda a confusão, presta assistência a uma jovem nativa deitada no asfalto.  A sua presença cria como que uma muralha, deixam de se ouvir buzinas, o trânsito rola lentamente como que em respeito.
  

A voluntária continua ajoelhada no chão junto à jovem, com ela comunicando e, estranhamente, fazendo-se entender. Consegue fazê-la soerguer-se, oferece-lhe um rebuçado, afaga-lhe o rosto inexpressivo. Aos poucos a jovem vai saindo da apatia, sorri para a voluntária.

De mãos agarradas as duas levantam-se do chão --- o trânsito, agora parado, deixa-as atingir em segurança os degraus da berma.  E aí se sentam as duas, tranquilas, sorridentes, comunicando sem falarem uma mesma linguagem mas, de olhos nos olhos, como irmãs estreitamente unidas por um sentimento de partilha e de amor.

Largos minutos passaram, aproxima-se uma familiar da jovem --- da jovem deficiente --- que tem ataques --- que por vezes não sabe quem é --- que por vezes não sabe o que faz --------- como usa dizer-se nestas paragens --- .

--- a nossa voluntária estava no local certo na hora exacta para, antes de todos nós, ouvir aquele grito silencioso de socorro e a ele responder, sem medo, sem limitações, com todo o amor que os voluntários têm para dar.





Kasbah Valée des Roses

 
CYBERESPAÇO AS PORTAS DO DESERTO
AMI – ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL (NUCLEO DE TOMAR)
              ASSOCIAÇÃO BEM-HAJA.NET
              TURMA TODO TERRENO
com apoio dos seus voluntários
Agendam para 29 MARÇO  -   09 ABRIL 07 
a 6ª. Rapidinha às areias Saharauis com o objectivo inovador de instalar um
CYBERESPAÇO AS PORTAS DO DESERTO
iniciando também a população escolar de KSAR EL KHEMILIA no mundo virtual da INTERNET»

Foi com este título que se iniciou a divulgação de mais uma incursão no território africano.

Mais uma vez houve pessoas e entidades que, preocupadas em ajudar povos carenciados, aderiram à iniciativa, respondendo a um desafio novo  juntando equipamentos informáticos aos habituais medicamentos, suplementos alimentares, brinquedos, roupas, bonés, rebuçados que, há já uma década fazemos regularmente chegar à aldeia de Ksar el Khemilia

Há exactamente um ano, lembramos, foi realizada a 14ª Expedição – 5ª Rapidinha e, desde logo, ficou prometida nova visita, porque durante todos estes anos acompanhamos o nascer e crescer de muitos meninos e meninas; é para eles que dirigimos esta acção – vamos ajudá-los a conhecer um mundo novo, levar-lhes novas tecnologias, mostrar-lhes que nos importamos com um futuro melhor apostando na aproximação dos povos e das culturas. 

Pela primeira vez a Turma Todo o Terreno contou com a colaboração da Associação bem-haja.net, uma instituição sem fins lucrativos que apoia outras instituições de solidariedade, voluntariado e apoio social na área das Novas Tecnologias, nomeadamente, oferecendo equipamentos informáticos e desenvolvendo websites de forma gratuita.

Já na véspera da partida registou-se a desistência do engenheiro informático, por motivos profissionais agendados à última hora. Não esmoreceu o entusiasmo e determinação dos participantes registando-se tão-somente a vontade de levar avante tudo o que havia sido programado. Descansou-nos a certeza de que os computadores que tinham sido disponibilizados pela Bem-Haja se encontravam prontos a ser ligados e que a linguagem árabe neles introduzida iria facilitar localmente a sua utilização.

Depositando as melhores expectativas no grupo de 4 viaturas e 9 participantes – não vamos contar como cooperantes 4 jovens que integraram a expedição – chegou o momento 0.

Acertos de datas, locais de partida, logo aqui se começaram a notar discrepâncias, que não tendo sido graves já não foram de todo favoráveis. Depois de contestada a saída a 29 e acertada para a madrugada de 30, exactamente quem se mostrava indisponível acabou por partir em antecipação.

Lá foi combinado o encontro dos 2 jipes de Tomar com os 2 de Mafra na auto-estrada de Sevilha.  Diferença de distâncias, dificuldades de percurso, imponderáveis, mas o encontro deu-se no meio de grande euforia provocada pela diferença de 3 horas na chegada dos dois grupos.

DIARIO DE BORDO

AINDA O PRIMEIRO DIA


Comunicações acertadas no canal rádio amador e, todos juntos fomos progredindo o mais rapidamente possível para se cumprir o primeiro dia.

Foi altamente desgastante viajar com equipas que não se conheciam, não havia a mínima coordenação entre as viaturas e respectivas velocidades – seguiu-se pelo trajecto mais penalizante usando estradas nacionais que embora boas nada têm a ver com a rede de auto-pistas que assegura a ligação directa de Sevilha a Algeciras.

E logo aqui houve a primeira manifestação negativa; com a desculpa que alguém de Mafra  teria lido algures Tarifa – houve que esperar no cais de embarque de Algeciras a chegada dos veículos que erradamente haviam empreendido aquele rumo. 

As razões que orientaram a organização para a exclusão do embarque em Tarifa foram colhidas e www.frs.es, tendo a ver especialmente com o custo da passagem.

Embarque em Algeciras, registo dos passaportes a bordo e uma passagem do estreito sem incidentes, levaram-nos para  Tanger e  finalizar do primeiro dia no Hotel Le Lagon em Moullay Bousselham.

Desembarque, formalidades aduaneiras, tudo foi concluído em cerca de 45 minutos com a habitual normalidade e sem revista às viaturas.  Alguns sorrisos e agradecimentos e ESTAMOS EM MARROCOS
                                                 Hotel Le Lagon a Moulay Bousselham
  

O SEGUNDO DIA

Manhã cedo, como combinado, o professor AZIZ e a nossa amiga SAMIRA vieram juntar-se-nos no Hotel.

Primeira desilusão – as crianças estavam de férias. As nossas férias da Páscoa. Pelo calendário islâmico o dia 3 de Abril celebra o nascimento do profeta Mahomé (equivalente ao nascimento de Cristo para os católicos) e, por tal, feriado e férias escolares.

Segunda desilusão – o computador já não era uma novidade – a rústica biblioteca da escola já lá tem um – ficou outro, sem ligação à Internet porque a escola não tem linha telefónica. 

Ultrapassámos esta situação – a Samira tem linha telefónica e amizades na Maroc Telecom – um ficou ligado e um cyberespaço a funcionar sob a posse e gestão da Samira.


Dispensário de Moulay Bousselham com Samira

Rapidamente se concluiu esta acção – o almoço previsto foi anulado – os participantes de Mafra queriam seguir viagem – destino Marrakech para chegar de dia,  visitar e jantar na lendária Place Jemal Al Fna.

Até parecia certo e correcto, só que, em plena auto-estrada, Mafra decide sair junto a Mohamedia para «um almoço pique-nique com os restos da véspera e as crianças molharem os pés no mar» (fora do contexto, com resistência mas acabando por ser feito).

Chegamos ao Hotel Kenza em Marrakech 




  e cumpriu-se o resto do segundo dia dentro do previsto, com uma visita pouco entusiasta – sem interesse sequer pelas habituais compras neste grande centro turístico que é Marrakech e a lendária Place Gemal Al Fna


As bancas da Grand Place Jmal Al F'naa

O TERCEIRO DIA


Não vou dizer que começou mal – começou e acabou no loundge do Hotel Kenza.



OS PARTICIPANTES

Os participantes nas anteriores expedições sempre tiveram consciência que para se cumprir uma missão há necessidade de rigor e disciplina. Não se pode, de ânimo leve, considerar que uma viagem de mais de 4.000 kms a realizar em nove dias pode ser deixada ao sabor da fantasia e do acaso.

A organização tem que estar atenta à época em que realiza a expedição, ao fluxo turístico que se pode registar e a todas as condicionantes meteorológicas. A experiência mostrou que nada deve ser deixado ao acaso e que cedências acabam por penalizar todos os participantes.  Aqui residiu a divergência e a cisão do grupo.

Pela Internet dois militares de Mafra conheceram o projecto. Diversos contactos, muito entusiasmo, pouca cooperação e desde logo alguns reparos inconsistentes e desagradáveis. No último dia foram comunicados os dados das viaturas e participantes mas não foram formalizadas as inscrições, sempre com desculpas adiadas. 

A organização tem que assumir que transigiu demais e que nunca deveria ter autorizado a participação destas equipas depois de ultrapassado o prazo limite para a formalização das inscrições mas fê-lo pela impossibilidade de participação de outros elementos e pela quantidade de bens a transportar.

Estranhou-se entretanto a indisponibilidade demonstrada de juntar todos os participantes para um conhecimento prévio (como está estabelecido nas normas da Turma Todo Terreno) e para se proceder à distribuição da carga pelas quatro viaturas;  acabou por resultar na impossibilidade de se levar todos os bens que se tinha conseguido reunir pois os dois jipes de Mafra simplesmente levaram as cinco CPUs alegando falta de espaço.

Em contraste:  a opinião do participante de Tomar - o seu Discovery levaria tudo – e levou – levou mais do alguma vez seria suposto.  Ficaram de parabéns o Discovery e o Terrano, tanto pela sua prestação durante a viagem como pela carga que conseguiram transportar – tudo o que era essencial.
  
Afinal foram estas duas viaturas e respectivas equipas que realizaram a missão – tardiamente se concluiu que as outras duas não teriam nunca feito falta, como não vieram a fazer.

As «Viagens com História», relatos das expedições anteriores, têm denunciado pessoas que aproveitando o prestígio e credibilidade das instituições envolvidas daí tentam tirar proveito próprio, material e de outras regalias. É revoltante que para algumas pessoas «voluntariado» sugira uma forma de viajar de graça e tirar benefícios próprios.

E assim aconteceu mais uma vez

Os senhores de Mafra simplesmente aproveitaram a expedição TTT/AMI para obterem dispensa das suas ocupações profissionais.

A pedido,  a TTT emitiu cartas ao Comandante da Escola Prática de Infantaria de Mafra e à Administração Regional de Saúde, solicitando a dispensa respectivamente dos dois militares e da senhora enfermeira, a exemplo do que já anteriormente havia sido feito para participantes noutras expedições. 

 Não foi difícil perceber a forma como fomos usados ao sabermos que este grupo somente acompanhou a expedição até estar em Marrocos onde se iria juntar (em Marrakech) com um grupo de amigos (ouviu-se falar de  um amigo Manuel).  Percebeu-se também porquê o Toyota carregava na grade do tejadilho uns sacos que pareciam tendas militares (ocupando o espaço que deveria ser destinado à missão) – a expedição estava programada com alojamento em hotéis e auberge e nunca em camping. 

A descortesia, indisciplina e contestação tinha como objectivo desestabilizar o grupo e provocar a cisão. Objectivo conseguido porque se há forma de caracterizar a organização é pela não partilha de responsabilidades ou desvio dos planos traçados. Uma vez mais não há que reprovar o bom senso da actuação da qual saímos vencedores mesmo que com consciência de que aqui « o derrotado foi parte do problema».

Como alguém do próprio grupo argumentou:  ser militar não faz o carácter de uma pessoa – e tantas esperanças que tínhamos posto no desempenho e disciplina deste grupo! Pena termo-nos enganado. 

AINDA O TERCEIRO DIA

Um almoço no Kenza, à pressa, já tarde e sem as iguarias a que nos tinham habituado. 




Uma espinha traiçoeira e a nossa companheira do Terrano em dificuldades. A enfermeira e o nosso doutor dispondo da mala médica bem apetrechada socorreram na medida do possível, tentando a todo o custo remover a espinha que acabou por ser eliminada sozinha e quando teve que ser.


Depois de muitas voltas provocada por cortes de trânsito nas ruas de Marrakech devido ao feriado (nascimento do profeta Mahomé ), já debaixo de uma chuva meio grossa e persistente, fizemo-nos à estrada, agora já só as equipas   de Tomar,  destino Ouarzazate


uma jornada tranquila, sem sobressaltos sem atrasos e sem esperas. Mas


UMA TEMPESTADE DE NEVE

Em pleno Alto Atlas a chuva intermitente deu lugar a uns salpicos diferentes, mais fluido e depois a uns farrapos que viraram um nevão.

Uma acentuada descida de temperatura não obstou à paragem em Taddert para comprinhas de pedras e adagas, umas trocas e uns souvenirs.

De novo na estrada uma descida acentuada mas um pavimento melhor e mais largo com guardas metálicas de protecção, fazia-nos seguir cautelosamente.  À nossa frente um táxi, saindo da sua mão para melhor curvar, acabou por colidir com outro ligeiro que subia em sentido contrário, dentro de uma curva a 90 º.  O Terrano deu espaço, o Discovery encaixou-se bem e depois de reclamarmos para desimpedirem a estrada, lá seguimos rumo a uma nova tempestade de neve.







A paisagem agreste das montanhas escarpadas começou a vestir-se de branco dando lugar a um quadro magnifico e deslumbrante de beleza, devidamente registado  pela digital do nosso companheiro.

Hotel Oscar na «Meca do Cinema Marroquino»
Cautelosamente mas com ritmo alcançamos o objectivo dentro da hora prevista e depois de um belo jantar com a melhor «Harira» que se comeu em todo a viagem, cansados,  dormimos cedo.

O QUARTO DIA

Uma manhã diferente, percorrendo os cenários épicos, 


muitas fotografias, um sol ameno e mais um dia de jornada até Zagora no Vale do Draa , mas
não sem antes termos parado na cidade para um almoço na esplanada, visita ao souk  para muitas compras e trocas ao bom gosto das terras da moirama.

Ouarzazate é uma cidade onde afluem todas as rotas, por isso, um dos maiores centros de negócios do país. Os companheiros que visitam Marrocos pela primeira vez têm o direito de mergulhar nesta forma de cultura e apreciar todos os tesouros de Ali-Bábá. 

Rolámos com cadência parando para fotografar os diversos oásis do Vale do Draa, chegámos a meio da tarde a Zagora.

 

Aproveitámos ser cedo para tomar uma cerveja nos jardins de La Fibule do Draa, o hotel que não tínhamos conseguido reservar por estar completo mas que faz parte do imaginário  das histórias de princesas e califas das Arábias. Ficou a promessa de que, na próxima vez, deveria identificar-me correctamente porque haveria 'sempre' lugar.

E só não ficamos porque o Hotel Tinsoulin esperava-nos; os nossos companheiros preferiram ir jantar à vila – um jantarinho de namorados – num dos restaurantes simples das gentes hospitaleiras das portas do deserto.

Também aqui foi decidido dormir cedo porque amanhã vamos ter um percurso mais exigente de nós e das máquinas.


O QUINTO DIA

Saímos cedo destino Gorges do Todga por pista.

Um desafio --- um grande desafio porque se desconhece o estado das pistas de calhau.


Fomos temerários. Tendo em conta sermos dois jipes o risco tornava-se muito maior. No passado houve situações em que foram precisos dois para tirar um, mesmo com gente experiente nestas andanças. Mas dos fracos não reza a história…




Uma paragem para a fotografia, um encontro com um Defender e com o guia de um passeio de espanhóis. Aziz-Donia era uma simpatia!! conselhos, troca de prendas, de e-mails e de telefones e seguirmos juntos até ao cruzamento onde nos sinalizaria a saída para as pistas de Boumalne por Tazzarine.

Os nossos amigos - os guias Marroquinos
E aí estão «as benditas» pistas – uma estreia para o Discovery, um recordar para o Terrano.  Subimos, rolámos pedra, comemos pó. Encontrámos gente hospitaleira sempre pronta a confirmar-nos a rota. Um restaurante!!! Vamos almoçar aqui!!! No meio das fragas, no fim do nada… uma omoleta berbere (cebola e tomate fritos, depois envolvidos com ovos e pão marroquino mais um tintinho Capítulo ). Umas ofertas, um cerimonial de tatuarem as testas das «gazelle»  e um adeus.


Reg


Não tive possibilidade de fotografar mas vou  guardar para sempre o privilégio que tive de ver  a ternura dos belos olhos da Benedita e as expressões de espanto e irrealidade das crianças a quem foi entregando brinquedos ao longo do percurso, uma muito em especial, a quem deu um brinquedo grande, um tesouro para quem o recebeu.

 Mais pista mais calhau e um outro jipe seguindo o mesmo trajecto. Como manda a Lei do deserto «fizemos aguada» e seguimos juntos até ao goudron.

Chegámos ao Todga, uma multidão, um engarrafamento e a descoberta da paragem – pagamento de portagem para passar para as gorges (estes mouros aprendem depressa!!)

Mais fotografias, uma bebida, e voltamos à estrada porque ainda temos mais cerca de 200 kms para chegar a Erfoud.

O SEXTO DIA


Acordámos no Tafilalet depois de um jantar agradável, uma noite bem dormida e um pequeno-almoço bouffet.

Seguimos para visita às fábricas de polimento de fósseis,


e  umas pequenas compras. 

O Hassan 
Hassan le dernier célibataire

tinha ficado de nos encontrar aqui mas como era cedo e não era essencial o encontro partimos rumo a Rissani  uma pequena localidade sede de distrito e ponto de partida da nova estrada que conduz a Merzouga sem ser pelas pistas.

Fotografias; o magnífico pórtico da cidade, 


um passeio pelo souk, mais umas comprinhas e seguimos para Merzouga e daí para o Palace Nomade (também já com estrada de alcatrão a 1 km.) 


Palace Nomade Hotel  (estrada Taous)
mesmo a horas para uma «salade marrocaine» com atum português e outro Capitulozinho.



Logo a seguir partimos para Ksar El Khemilia para completarmos a nossa missão.

APOTEOSE

Bem perto a «grand dune de sable rose» e a aldeia do povo Gnaua; 



a nossa querida Fátima já com a sua recém-nascida filha Ashna.  Hamed e  Hadija felizes e deslumbrados com o reencontro


  
Foi tempo de descarregar os jipes, de tudo o que era destinado a esta aldeia, em casa da Fátima que, como habitualmente procederá posteriormente à respectiva distribuição. 

A estrada partiu a aldeia, ao longe ouvíamos os tan-tans, 


foi tempo de irmos até à «festa».  Mas este ano a festa não era nossa – uma «inundação» de turistas espanhóis estava açambarcando as atenções da população.  Mas surpresa… a nossa presença de imediato foi notada e vimo-nos, como sempre, rodeados, abraçados, acarinhados por todas aquelas negrinhas e negrinhos que tão bem conhecemos.

Deixámos para o dia seguinte, mais calmo, um almoço de cous-cous «chez Fátima» e a orientação do local e forma de criar o cyberespaço.

 Mais uma vez jogou contra nós o período de férias; por isso, foi decidido que Fátima e seu marido ficariam encarregues de, com o director da   programarem a utilização de 2 computadores para aprendizagem das mulheres da aldeia. Um terceiro computador ficaria entregue a Hassan Lassen e ligado à Internet.


O PONTO NEGRO

O nosso Dr. Tamagnini apoiado pela esposa Benedita Prestou-se assistência a duas crianças doentes, dando a medicação que se mostrou adequada a cada caso.

Com os jipes de Mafra ficou a enfermeira que deveria acompanhar a Missão.

Sem a sua presença  ficou inviabilizada a prestação de formação materno-infantil às mães Gnauas e assistência às crianças. Procedemos à entrega dos medicamentos e material de penso no dispensário de Merzouga.

E até aqui no dispensário se sentiu a época de férias. A bela enfermeira que nos recebeu calorosamente no ano passado estava ausente, a senhora doutora que se encontrava ao serviço, atirou-nos um simples 'salam aleikum' lá no fundo e do assento de onde não se dignou levantar.

A EXPLICAÇÃO

E o Hassan explicou:

O sul de Marrocos esta Páscoa tinha-se tornado destino turístico para espanhóis que consigo tinham levado alguns bens para deixar às populações.

E avançou uma sugestão: - carentes estão as famílias nómadas isoladas nas areias para além do Erg Chebi – porque não irmos ao seu encontro?


O SETIMO DIA

Um desafio nunca antes tentado

Conhecemos bem o Erg Chebi, foi lá que aprendemos a rolar na areia e a não atacar dunas, no início das nossas incursões em Africa. Foi lá que apanhámos sustos, avariámos e rebocámos  jipes. Foi lá que passámos uma noite  esperando o amanhecer, um jantar e uma festa adiados num oásis.





Eram só duas viaturas


… e o Hassan disse:

Lima, não podes ter medo… Allah olha por ti porque tu vais ajudar o povo de Allah ----------- e eu vou contigo.

Youppy!!! Doutor – vamos nessa?  Claro que vamos !!!

O Discovery não parecia em perfeitas condições mecânicas mas a experiência e conhecimentos do Hassan fizeram-no comportar-se como um verdadeiro catre-catre.

ADRENALINA AO MAXIMO

Sem medo, só duas rodas motrizes, engrenada a quarta aí vamos a 80 km/hora, não rolando mas planando baixo nas areias do Erg Chebi.

Uma a uma foram visitadas todas as famílias nómadas que o Hassan conseguiu encontrar e entregues os sacos com rebuçados,  açúcar, chocolate e leite em pó, brinquedos e roupas. O sol do deserto ou o sorriso daquelas pessoas aqueceram-nos interior e exteriormente.

Rumámos depois ao lago formado pelas grandes chuvas e vimos o contraste deste deserto com o que nos acolheu em tempos quando levámos grossas gotas de chuva depois de sete anos de seca.

O grande e inolvidável deserto, sempre igual e sempre diferente.

Ficámos mais uma noite no Palace Nomade – sem falarmos nisso entre nós – mas na expectativa de que os dissidentes, em consciência se nos quisessem juntar e realizar a missão – eles estavam de posse do plano de viagem, só não vieram porque, temos que assumir, não tinham carácter.













O OITAVO DIA

Saímos cedo rumo a Meknès para recuperar o dia que tínhamos ficado no deserto.

Paragem obrigatória em Midelt para as últimas comprinhas e trocas. Sempre os fósseis, todos iguais e todos diferentes.  Um almoço no Le Pin e o reencontro com Mme Sophia que conhecemos há 14 anos e que há muitos tínhamos perdido o contacto.

Agruras da vida devolveram-na de Kasbah Bassou ao Le Pin, já sem o seu companheiro e em dificuldades.  Ternurinhas, uma pequena ajuda monetária, uma tagineira de «souvenir»  e

MEKNES, o trânsito, a confusão, as ruas de sentido único mas finalmente o nosso hotel e a bela Souhad nossa conhecida de Erfoud com o seu enorme sorriso, um belo jantar e quartos magníficos.

Os nossos companheiros teriam preferido seguir para FES mas a impossibilidade de anular a reserva do hotel fizeram-nos ficar e seguir só de manhã.

Aproveitámos o tempo livre até ao jantar para numa agência de viagens comprar os bilhetes para o ferry de regresso, procurando as melhores condições de preço e evitando as confusões fronteiriças.

Uma despedida rápida, troca de todos os votos de boa viagem. Os nossos companheiros seguiram via Fès- Chefchaouen prolongando as suas férias por mais um dia; nós rumámos directamente a Tanger.

REGRESSO A CASA

Um almoço a bordo de um grande ferry, uma travessia tranquila do estreito de Gibraltar e o reentrar na Europa para uma viagem tranquila até nossas casas , famílias e amigos que nos aguardavam com o entusiasmo como se regressássemos de uma viagem de volta ao mundo.









Não foi mesmo a volta ao mundo mas teve de tudo, suspense, arrelias, alegrias, surpresas mas especialmente calor humano, dever cumprido, ajudar quem precisa e muito,  especialmente rever aqueles AMIGOS, aquela gente simples e hospitaleira, receber  abraços sinceros e a partilha de muito AMOR que não conhece fronteiras ou cor de pele.

Cansados e felizes terminamos a nossa odisseia. Será que ainda voltamos uma vez mais ao continente de todas as emoções ? INCH’ALLAH














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